E a nós?
A nós é reservado o direito de ficarmos calados.
Calar? Omitir? Não optar?
Que sejam arrancadas as mordaças,
e que de nossas bocas redobrem as palavras.
Que fluam pelo ar do mundo inteiro,
e que todos as ouçam.
Até mesmo o surdo cancioneiro.
Que sejam ouvidas as suas, as minhas,
as nossas palavras.
Que não sejam elas massacradas,
mas que digam alguma coisa a alguém.
Que nossas palavras possam ser belas,
como as cores da tela.
Gostosas como o cheiro da terra.
Pesadas e frias e tristes como a guerra.
Que sejam assim nossas palavras,
como têm que ser.
Cíntia Santomario
Poema do livro não publicado: "Minha Vida, Uma Constante Poesia."

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